Série Ninho Vazio 2
Quando os filhos saem de casa, a saudade costuma ser inevitável.
Mas talvez haja algo mais, que à primeira vista seja difícil de perceber.
A falta pode não ser somente da presença deles.
Mas também da rotina a que se estava acostumado, da casa cheia, dos encontros diários, das conversas que aconteciam sem hora marcada...
Em outro nível, da sensação de ser, como pais, tão necessários aos filhos.
E então, pode aparecer uma tristeza, difícil de explicar.
Porque, no fundo, estamos nos despedindo não apenas dos filhos, mas de uma etapa da vida.
Talvez algumas saudades digam, além de quem foi embora, de um tempo que também se foi.
E isto nos coloca diante de uma fronteira: como rearticular minha vida daqui para a frente? Quem sou eu agora que meus filhos sairam de casa?
Tantos anos passados juntos: a concepção, o parto, a primeira infância, adolescência, adulto jovem - um vínculo tão profundo tecido em meio a tantos afetos, desafios e proximidade?
Reconhecer isto pode ajudar a ampliar a compreensão daquilo que estamos vivendo.