Repetir ou vivenciar?

Na Ginástica Holística, um mesmo movimento pode ser realizado mais de uma vez.

Mas isso não significa simplesmente repetir um gesto.

Imagine um balanço tranquilo dos braços.

Na primeira vez, a experiência acontece de uma maneira.

O movimento pode encontrar mais espaço.

Alguma coisa pode se reorganizar no gesto.

E aquilo que parecia igual começa a ser vivido de outra maneira.

O gesto pode parecer o mesmo.

Mas a experiência já não é.

E aqui há algo importante:

O movimento não é algo que o corpo simplesmente executa enquanto nossa consciência o observa.

Não há, de um lado, uma consciência que percebe e, de outro, um corpo que se movimenta.

É corporalmente que percebemos, nos orientamos, encontramos o espaço e nos relacionamos com o mundo.

Por isso, perceber um movimento não significa simplesmente observar o que o corpo está fazendo.

Significa ampliar a maneira como vivemos corporalmente aquela experiência.

É nesse sentido que, na Ginástica Holística, repetir pode significar muito mais do que fazer novamente.

A cada vez, novas relações podem se tornar presentes: entre apoio e movimento, respiração e ritmo, equilíbrio e espaço.

E o que se amplia não é apenas a percepção de um corpo que observamos.

Amplia-se a própria experiência de sermos corpo em movimento.

Talvez seja justamente aí que um movimento deixe de ser apenas executado — e passe, de fato, a ser vivido.

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